Oabaluaiê

COZINHA RITUALÍSTICA : OBALUAIÊ

Feijão Preto

Cozinha-se o feijão preto, só em água, e depois refoga-se cebola ralada, camarão seco e Azeite-de-Dendê,
misturando ao feijão.

Olubajé (Olu-aquele que, ba-aceita, jé-comer ; ou ainda aquele-que-come)

O Olubajé, não é uma comida específica, mas sim um banquete oferecido à Obaluaiê.
São oferecidos pratos de aberém (milho cozido enrolado em folha de bananeira), carne de bode e pipocas.
Seus "filhos" devidamente "incorporados" e paramentados oferecem as mesmas aos
convidados/assistentes desta festa.
É uma oferenda coletiva para os Orixás da Terra e suas ligações – Omulu/Obaluaiê, Nana e Oxumarê, é
aguardada durante todo o ano com muito entusiasmo, pois é nesta oferenda que os iniciados ou
simpatizantes irão agradecer por mais um ano que passaram livre de doenças e pedir por mais um período
de saúde, paz e prosperidade.
A celebração oferece aos participantes um vasto cardápio de "comidas de santo", e, após todos comerem,
participam de uma limpeza espiritual, que evoca a proteção destas divindades por mais um ano na vida de
cada um.
É uma das cerimônias mais importantes do Candomblé, e relembra a lenda da festa que ocorria na terra de
Obaluaiê, com todos os Orixás, na qual ele não podia entrar. (ver lenda mais abaixo).

Margarita de Oxum

en 10/07/2008 04:49:00 PM 0 comentarios

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OBALUAIÊ

AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OBALUAIÊ

Ao senhor da doença é relacionado um arquétipo psicológico derivado
de sua postura na dança: se nela Omulu/Obaluaiê esconde dos
espectadores suas chagas, não deixa de mostrar, pelos sofrimentos
implícitos em sua postura, a desgraça que o abate. No comportamento
do dia-a-dia, tal tendência se revela através de um caráter tipicamente
masoquista.
Arquetipicamente, lega a seus filhos tendências ao masoquismo e à autopunição, um austero código de
conduta e possíveis problemas com os membros inferiores, em geral,
ou pequenos outros defeitos físicos.
Pierre Verger define os filhos de Omulu como pessoas que são
incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida corre tranqüila para
elas. Podem até atingir situações materiais e rejeitar, um belo dia,
todas essas vantagens por causa de certos escrúpulos imaginários.
São pessoas que, em certos casos, se sentem capazes de se
consagrar ao bem-estar dos outros, fazendo completa abstração de
seus próprios interesses e necessidades vitais.
No Candomblé, como na Umbanda, tal interpretação pode ser demais
restritiva. A marca mais forte de Omulu/Obaluaiê não é a exibição de
seu sofrimento, mas o convívio com ele. Ele se manifesta numa
tendência autopunitiva muito forte, que tanto pode revelar-se como
uma grande capacidade de somatização de problemas psicológicos
(isto é, a transformação de traumas emocionais em doenças físicas
reais), como numa elaboração de rígidos conceitos morais que afastam
seus filhos-de-santo do cotidiano, das outras pessoas em geral e
principalmente os prazeres. Sua insatisfação básica, portanto, não se
reservaria contra a vida, mas sim contra si próprio, uma vez que ele foi
estigmatizado pela marca da doença, já em si uma punição.
Em outra forma de extravasar seu arquétipo, um filho do Orixá , menos
negativista, pode apegar-se ao mundo material de forma sôfrega, como
se todos estivessem perigosamente contra ele, como se todas as riquezas lhe fossem negadas, gerando um
comportamento obsessivo em torno da necessidade de enriquecer e ascender socialmente.
Mesmo assim, um certo toque do recolhimento e da autopunição de Omulu/Obaluaiê serão visíveis em seus
casamentos: não raro se apaixonam por figuras extrovertidas e sensuais (como a indomável Iansã, a
envolvente Oxum, o atirado Ogum) que ocupam naturalmente o centro do palco, reservando ao cônjuge de
Omulu/Obaluaiê um papel mais discreto. Gostam de ver seu amado brilhar, mas o invejam, e ficam vivendo
com muita insegurança, pois julgam o outro, fonte de paixão e interesse de todos.
Assim como Ossãe, as pessoas desse tipo são basicamente
solitárias. Mesmo tendo um grande círculo de amizades,
freqüentando o mundo social, seu comportamento seria
superficialmente aberto e intimamente fechado, mantendo um
relacionamento superficial com o mundo e guardando sua
intimidade para si própria. O filho do Orixá oculta sua
individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo
até uma aura de respeito e de imposição, de certo medo aos
outros. Pela experiência inerente a um Orixá velho, são
pessoas irônicas. Seus comentários porém não são prolixos e
superficiais, mas secos e diretos, o que colabora para a
imagem de terrível que forma de si próprio.
Entretanto, podem ser humildes, simpáticos e caridosos. Assim
é que na Umbanda este Orixá toma a personalidade da
caridade na cura das doenças, sendo considerado o "Orixá da
Saúde”.
O tipo psicológico dos filhos de Omulu é fechado, desajeitado,
rústico, desprovido de elegância ou de charme. Pode ser um
doente marcado pela varíola ou por alguma doença de pele e é
freqüentemente hipocondríaco. Tem considerável força de
resistência e é capaz de prolongados esforços. Geralmente é um pessimista, com tendências
autodestrutivas que o prejudicam na vida. Amargo, melancólico, torna-se solitário. Mas quando tem seus
objetivos determinados, é combativo e obstinado em alcançar suas metas. Quando desiludido, reprime suas
ambições, adotando uma vida de humildade, de pobreza voluntária, de mortificação.
É lento, porém perseverante. Firme como uma rocha. Falta-lhe espontaneidade e capacidade de adaptação,
e por isso não aceita mudanças. É vingativo, cruel e impiedoso quando ofendido ou humilhado.
Essencialmente viril, por ser Orixá fundamentalmente masculino, falta-lhe um toque de sedução e sobra
apenas um brutal solteirão. Fenômeno semelhante parece ocorrer no caso de Nanã: quanto mais poderosa
e mais acentuada é a feminilidade, mais perigosa ela se torna e, paradoxalmente, perde a sedução.

CARACTERÍSTICAS de OBALUAIÊ

CARACTERÍSTICAS:
Cor: Preto e branco
Fio de Contas: Contas e Miçangas Pretas e Brancas leitosas.
Ervas: Canela de Velho, Erva de Bicho, Erva de Passarinho, Barba de Milho, Barba de Velho,Cinco Chagas, Fortuna, Hera. (cuféia -sete sangrias, erva-de-passarinho, canela de velho, quitoco, Zínia)
Símbolo: Cruz
Pontos da Natureza: Cemitério, grutas, praia
Flores: Monsenhor branco
Essências: Cravo e Menta
Pedras: Obsidiana, Ônix, Olho-de-gato
Metal: Chumbo
Saúde: Todas as partes do corpo (É o Orixá da Saúde)
Planeta: Saturno
Dia da Semana Segunda-feira
Elemento: Terra
Chakra: Básico
Saudação: Atôtô (Significa “Silêncio, Respeito”)
Bebida: Água mineral (vinho tinto)
Animais: Galinha d’angola, caranguejo e peixes de couro, cachorro.
Comidas :Feijão preto, carne de porco, Deburú - pipoca, (Abadô - amendoim pilado e torrado; latipá - folha de mostarda; e, Ibêrem - bolo de milho envolvido na folha de bananeira)
Número: 3
Data Comemorativa: 16 de Agosto (17 de Dezembro)
Sincretismo: São roque (São Lázaro).
Incompatibilidades: Claridade, sapos

s

OBALUAIÊ

Na Umbanda, o culto é feito a Obaluaiê, que se desdobra com o nome de Omulu. Orixá originário do
Daomé. É um Orixá sombrio, tido entre os iorubanos como severo e terrível, caso não seja devidamente
cultuado, porém Pai bondoso e fraternal para aqueles que se tornam merecedores, através de gestos
humildes, honestos e leais.Nanã decanta os espíritos que irão reencarnar e Obaluaiê estabelece o cordão energético que une o
espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento celular
básico (órgãos físicos).
Ambos os nomes surgem quando nos referimos à esta figura, seja Omulu seja Obaluaiê. Para a maior parte
dos devotos do Candomblé e da Umbanda, os nomes são praticamente intercambiáveis, referentes a um
mesmo arquétipo e, correspondentemente, uma mesma divindade. Já para alguns babalorixás, porém, há
de se manter certa distância entre os dois termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo
Orixá.
São também comuns as variações gráficas Obaluaê e Abaluaê.
Um dos mais temidos Orixás, comanda as doenças e, consequentemente, a saúde. Assim como sua mãe
Nanã, tem profunda relação com a morte. Tem o rosto e o corpo cobertos de palha da costa, em algumas
lendas para esconder as marcas da varíola, em outras já curado não poderia ser olhado de frente por ser o
próprio brilho do sol. Seu símbolo é o Xaxará - um feixe de ramos de palmeira enfeitado com búzios.
Em termos mais estritos, Obaluaiê é a forma jovem do Orixá Xapanã,
enquanto Omulu é sua forma velha. Como porém, Xapanã é um nome
proibido tanto no Candomblé como na Umbanda, não devendo ser
mencionado pois pode atrair a doença inesperadamente, a forma
Obaluaiê é a que mais se vê. Esta distinção se aproxima da que existe
entre as formas básicas de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a
forma jovem e Oxalufã a forma mais velha.
A figura de Omulu/Obaluaiê, assim como seus mitos, é completamente
cercada de mistérios e dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a
essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças,
especialmente as epidêmicas. Faria parte da essência básica vibratória
do Orixá tanto o poder de causar a doença como o de possibilitar a
cura do mesmo mal que criou.
Em algumas narrativas mais tradicionalistas tentam apontar-se que o
conceito original da divindade se referia ao deus da varíola, tal visão
porém, é uma evidente limitação. A varíola não seria a única doença
sob seu controle, simplesmente era a epidemia mais devastadora e
perigosa que conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu Omulu/Obaluaiê, o
Daomé.
Assim, sombrio e grave como Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omulu/Obaluaiê é uma
criatura da cultura jêje, posteriormente assimilada pelos iorubás. Enquanto os Orixás iorubanos são
extrovertidos, de têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que os identificam com
os seres humanos, as figuras daomeanas estão mais associadas a uma visão religiosa em que
distanciamento entre deuses e seres humanos é bem maior. Quando há aproximação, há de se temer, pois
alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do Daomé são austeros no comportamento mitológico,
graves e conseqüentes em suas ameaças.
A visão de Omulu/Obaluaiê é a do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é
ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo difícil uma negociação ou um aplacar, mais
prováveis nos Orixás iorubás.
Pierre Verger, nesse sentido, sustenta que a cultura do Daomé é muito mais antiga que a iorubá, o que
pode ser sentido em seus mitos: A antigüidade dos cultos de Omulu/Obaluaiê e Nanã (Orixá feminino),
freqüentemente confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe do ritual dos sacrifícios
de animais que lhe são feitos. Este ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando
que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.
Como parte do temor dos iorubás, eles passaram a enxergar a divindade (Omulu/Obaluaiê) mais sombria
dos dominados como fonte de perigo e terror, entrando num processo que podemos chamar de malignação
de um Orixá do povo subjugado, que não encontrava correspondente completo e exato (apesar da
existência similar apenas de Ossãe). Omulu/Obaluaiê seria o registro da passagem de doenças epidêmicas,
castigos sociais, já que atacariam toda uma comunidade de cada vez.
Obaluaiê, o Rei da Terra, é filho de NANÃ, mas foi criado por IEMANJA que o acolheu quando a mãe
rejeitou-o por ser manco, feio e coberto de feridas. É uma divindade da terra dura, seca e quente. É às
vezes chamado "o velho", com todo o prestígio e poder que a idade representa no Candomblé. Está ligado
ao Sol, propicia colheitas e ambivalentemente detém a doença e a cura. Com seu Xaxará, cetro ritual de
palha da Costa, ele expulsa a peste e o mal. Mas a doença pode ser também a marca dos eleitos, pelos quais Omulu quer ser servido. Quem teve varíola é freqüentemente
consagrado a Omulu, que é chamado "médico dos pobres".
Suas relações com os Orixás são marcadas pelas brigas com
Xangô e Ogum e pelo abandono que os Orixás femininos legaramlhe.
Rejeitado primeiramente pela mãe, segue sendo abandonado
por Oxum, por quem se apaixonou, que, juntamente com Iansã,
troca-o por Xangô. Finalmente Obá, com quem se casou, foi
roubada por Xangô.
Existe uma grande variedade de tipos de Omulu/Obaluaiê, como
acontece praticamente com todos os Orixás. Existem formas
guerreiras e não guerreiras, de idades diferentes, etc., mas
resumidos pelas duas configurações básicas do velho e do moço.
A diversidade de nomes pode também nos levar a raciocinar que
existem mitos semelhantes em diferentes grupos tribais da mesma
região, justificando que o Orixá é também conhecido como
Skapatá, Omulu Jagun, Quicongo, Sapatoi, Iximbó, Igui.
Esta Grande Potência Astral Inteligente, quando relacionado à vida
e à cura, recebe o nome de Obaluaiê. Tem sob seu comando
incontáveis legiões de espíritos que atuam nesta Irradiação ou
Linha, trabalhadores do Grande Laboratório do Espaço e verdadeiros cientistas, médicos, enfermeiros etc.,
que preparam os espíritos para uma nova encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças.
Atuam também no plano físico, junto aos profissionais de saúde, trazendo o bálsamo necessário para o
alívio das dores daqueles que sofrem.
O Senhor da Vida é também Guardião das Almas que ainda não se libertaram da matéria. Assim, na hora
do desencarne, são eles, os falangeiros de Omulu, que vêm nos ajudar a desatar nossos fios de agregação
astral-físico (cordão de prata), que ligam o perispírito ao corpo material.
Os comandados de Omulu, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós
morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo de
força fluidíco-magnético, a fim de não deixarem que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam
energias do duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos.


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